17-Meyer Mesel.
Brilhante professor de Estabilidade das Construções, de esmerada didática, deduzia fórmulas complexas com letra desenhada que enchiam várias vezes aqueles imensos quadros verdes. O seu sadismo se refletia nas provas que eram difíceis e trabalhosas. Levávamos quatro horas para resolver as questões e era aquele inferno das máquinas Facit, trim pra lá, trim pra cá, endoidando o juízo de todos.
Aluno razoável que era passei por média com um acidente no cálculo de uma barragem. Coletara de uma tabela um coeficiente errado – o f do solo utilizado – e desenvolvi o cálculo correto, mas com esse parâmetro trocado. Durante a aula seguinte ele foi ler as notas e parou no meu nome: novidade, Carnaúba, nota zero!- Algum comentário?-Não senhor porque a minha barragem ruiria.
Tinha uma relativa amizade com ele o que me permitiu solucionar um caso que poucos conheceram. A formatura marcada para o dia 17 de dezembro, dois colegas que repetiam a cadeira não se formariam porque Meyer marcara a prova para o dia 19 (olha o sadismo aí)!-Conversei com Arlindo Pontual, expus o problema e pedi-lhe para me levar à casa de Meyer à noite. Fomos lá e solicitei ao professor que antecipasse a data da prova para o dia 15/16, não lembro. Aceitou sob o condicionante de eu assistir à prova para ninguém responsabilizá-lo por uma eventual reprovação. E assim ocorreu, os dois colegas atemorizados se acalmaram com a minha presença, fizeram boa prova e foram aprovados. Um deles, de saudosa memória: Lourenço. Nota: posteriormente o Aluízio Câmara se manifestou informando que outros caminhos também foram trilhados. Ele desconhecia esse meu ato, e eu os dele.
Devo confessar que após ser aprovado na cadeira dele toquei fogo na apostila e nos cadernos de Estabilidade na porta da EEP, o que gerou um constrangimento anos depois. Sob o clima do episódio de expulsarem o Meyer da Escola, recebi, em Maceió, a visita de um emissário do Luciano Lobo – pedindo o caderno de aulas para demonstrar que ele (Luciano) ensinara o Método de Cross. Meyer só ensinava o dos Três Momentos (o que todos os calculistas combatiam, e o alunado também) hoje utilizado nos softwares de estruturas. Pedi desculpas, disse-lhe que tinha dado o caderno para outro colega e não lembrava mais a quem.
Conheci um amigo de meu pai cujo filho nunca se formou em engenharia traumatizado com as provas do Meyer Mesel. Há notícias por aí de muitos nas mesmas condições.
Mesmo assim, odiado por tantos, foi estúpida a sua morte em uma verdadeira câmara de gás na Bolívia.
18-Bruno Maranhão.
Atlético, alterofilista, brigão, hoje seria chamado homem bomba talvez consumidor de anabolizantes. Certo dia alguém do grupo dele acertou-me uma banda de laranja na nuca, e corri para pegar o cabra e dar-lhe o troco. No meio do caminho, Bruno com seu avantajado físico, me pegou pelo braço como se fosse eu um mosquito e armou o murro que me desconjuntaria o esqueleto. Encurralado perto da escada, pensei nas artes marciais que tinha aprendido com Ivan Gomes e outros lutadores de judô, preparei-me para desviar o murro e me escorei em um canivete de mola que sempre portava no bolso de trás da calça. Eu, uma fera acuada, o Bruno, um Hércules, olhar de desdém deve ter visto algo em meus olhos, baixou a guarda, deu-me um abraço e disse-me: baixinho vamos esquecer isso!-Dei graças a Deus.
Recentemente envolveu-se no episódio da quebradeira da ante-sala do Congresso Nacional. Errou de endereço!-deveria ter quebrado o Plenário com todos os mil diabos que vivem lá dentro enganando o povo.