14-Albérico e Edinaldo – eternos doutrinadores de esquerda passavam as horas vagas me catequizando para ajudá-los no movimento, sem sucesso. Muitos pensavam que eu era de extrema direita, razão de muita desconfiança sobre as conversas na minha presença.
A prova da fidelidade aos colegas deu-se no 4º ou 5º ano quando fui visitado, no 901 do Ed. Mandacaru, por um oficial do EB, fardado, alagoano, tentando me cooptar para ser informante. Repeli-o, severamente, porque jamais denunciaria um colega por ter ideologia diferente da minha.
Anos depois o Edinaldo foi acusado do atentado a bomba no aeroporto dos Guararapes durante a visita do Costa e Silva. Edinaldo foi exilado na França onde permaneceu por vários anos. Sempre, em função da sua postura e temperamento, o considerei inocente. Só nos reencontramos na comemoração de Gravatá (25 anos?), com câncer e em cadeira de rodas. Perto do final do encontro fiz um pronunciamento treme-terra indagando dos colegas de esquerda a razão de ninguém lhe ter prestado, naquela hora, a merecida homenagem por seu idealismo e companheirismo, pelo sofrimento que lhe fora imposto pela ditadura, principalmente por ser inocente. Soube de seu falecimento poucos anos depois. Nota: posteriormente, Wilton Jansen contestou o relato da minha crítica de “ninguém ter prestado a merecida homenagem” porque fora um acordo, entre seus amigos próximos, não tocarem no assunto. Eu desconhecia isso e o saudei.
15-Nome da Turma. Aécio, ferrenho militante de esquerda, de uma ou duas turmas antes da nossa, tornou-se meu amigo e companheiro das cachaças eventualmente ingeridas. Estava detido na penitenciária do Recife e uma parte da turma escolhera o seu nome para ser homenageado. O EB mandou avisar que se constasse o nome dele não haveria solenidade de formatura. Foi rolo feio! Pedi a Arlindo Pontual para me levar ao Comando do IV Exército onde solicitei autorização para ir visitar o Aécio na cadeia. Arlindo garantiu ao comandante a minha postura e lá fui eu visitar o amigo em busca da sua recusa, por escrito, em aceitar a homenagem. Apesar de sua alegria ao me ver por lá se entristeceu com o pedido e mais ou menos assim se expressou: “se eu fizer isso estarei renegando as minhas convicções e serei penalizado pelos meus companheiros, sabe-se lá como”.
Fizemos uma assembléia geral na Escola, expus o que tinha feito e o que tinha ouvido do Aécio, destacando que todos seriam prejudicados, inclusive o próprio, e lancei o nome de Arlindo Pontual em seu lugar.
16-Luciano Lobo e esposa, Clarisse (irmã do Meyer Mesel)- Comentários da turma sobre o imaginário namoro, a magreza dele e a obesidade dela: você tem alto coeficiente de flambagem; você tem grande momento de inércia!
Estagiei, como voluntário, os dois últimos anos de estudante no escritório de cálculo do Luciano Lobo. Dois episódios marcantes. Alguém de uma andar superior cuspiu em sua cabeça quando ele estava na janela. Subimos para pegar o culpado sem sabermos de onde viera a cusparada e ele passou o resto da tarde xingando o anônimo.
Deu-me uma carona e ao parar no sinal da ponte da Boa Vista havia um carro na frente do seu Aerowillys . O sinal abriu, ele buzinou duas ou três vezes porque o motorista estava conversando com um pedestre, e o primeiro mandou-o passar por cima. Engatou uma primeira deu uma batida no outro carro e saiu a empurrá-lo rua afora. Não houve tapas porque o outro se acovardou!
O único pagamento que recebi do Luciano – calculei muitas fundações dos prédios que ele projetava porque eu tinha os livros do Guerrin (ainda os tenho) em francês, idioma que ele não dominava - foram as alianças para noivar com a Glorinha.