EXORTAÇÃO A AURÉLIO DE MORAES DUARTE
*28/11/1938 - † 10/01/2006
Natural de Maceió, Alagoas, cursou o Colégio Baptista, estudou em Sergipe onde serviu ao Exército obtendo a patente de cabo, e concluiu o Científico no famoso Liceu Alagoano, instituição pública das mais respeitadas nos idos da década de 1960.
Brilhante aluno de matemática do Prof. Benedito de Morais – que preparava a moçada para os exames da Academia Militar das Agulhas Negras – sempre teve atração por aeronaves de todos os tipos e chegou a fazercurso de piloto no Aeroclube de Maceió.
Suas grandes paixões ao longo da vida, desde a juventude, tinham vínculos com aeronaves, com as grandes guerras, com a música sendo autodidata em gaita que tocava com maestria, além de cultura geral, tornando-se um repositório de histórias do Mundo, e de assuntos dos mais variados.
Tornou-se estudante de Engenharia dedicando-se à veia rodoviária demonstrando raras qualidades de desenhista a mão livre, com ênfase para aeronaves, e de desenho técnico cuja habilidade desenvolveu marcando linhas nos esquadros transparentes que além de demonstrarem a sua criatividade tornavam os desenhos impecáveis.
Chegava o Cabo Aurélio – assim conhecido em Maceió - na Escola de Engenharia de Pernambuco sobraçando, sempre, uma montanha de livros técnicos diversos que os mantinha nas mãos durante aqueles papos na porta da Escola, talcomo o Prof. Beira Baixa, personagem de Chico Anísio. Ao surgir um avião nos céus do Recife descrevia o modelo, ano de fabricação, velocidade de cruzeiro, potência de motores e capacidade de carga, além do nome do fabricante e ano de lançamento.
Durante as longas noites de estudos saíamos para lanchar no bar do Vieira, rua do Hospício, um desmunhecado que revirava os olhos ao vê-lo adentrar em companhia dos colegas. Certodia Aurélio faltou e o Vieira indagou: cadê ele? – Ele quem? – Aquele branquinho que vem com vocês! -Foi a conta para assim o apelidarmos!
Branquinho morava na Boa Vista, em um primeiro andar, e sentia-se incomodado por um casal de namorados que se esfregava na porta inferior em horas tardias, sob conversas e suspiros que o impediam de estudar. Contou-nos o problema e sugerimos esfriar aquele amor barulhento lançando um balde com água sobre o casal. Como havíamos saído de uma aula prática de geologia – durante a qual alguém trocara as pedras de caixas nominadas e o professor assistente ensinara tudo errado – Branquinho disse-nos que iria levar uma rocha ígnea, extrusiva (um riólito) para jogar na cabeça dos namorados!
Assumiu o cargo de engenheiro do DER-PE onde permaneceu durante um ano até receber o convite do Governo de Alagoas para voltar a sua terra natal, e exerceu a carreira de engenheiro do DER-AL, alçando, alguns anos mais tarde, o posto de Diretor Geral período em que se destacou uma determinação sua, altruística, descontentando lobistas que circundavam o Governador. O Estado deve a ele a mudança do traçado da AL 101 Norte para beneficiar as cidades litorâneas, hoje o maior pólo turístico de Alagoas envolvendo Japaratinga e Maragogi. Casou com Iolanda e formaram uma bela família com cinco filhos, três homens e duas mulheres.
Amava o Frevo como poucos, foi um dos fundadores do Pinto da Madrugada do qual tornou-se Comendador por merecimento.
O seu sepultamento em Maceió foi marcante para os seus amigos tendo o féretro descido à sepultura levando em seu interior um pequeno avião, uma pequena sombrinha representando o frevo que tanto amava, ao som da bandinha do Pinto da Madrugadaque tocava as músicas que mais gostava.
A gaita do Aurélio silenciou na terra, mas o Grande Arquiteto do Universo ora se embevece ao som de Realejo e Coração de Papel, suas músicas prediletas. O Vassourinhas é conseqüência da animação por lá!
(Engenheiro Marcos Carnaúba-Colega de turma da UFPE-1966)